Caatinga respondeu por quase 40% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, aponta pesquisa da UFCG

Caatinga foi responsável por quase 40% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, aponta pesquisa da UFCG Univasf/arquivo O bioma Caatinga foi...

Caatinga respondeu por quase 40% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, aponta pesquisa da UFCG
Caatinga respondeu por quase 40% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, aponta pesquisa da UFCG (Foto: Reprodução)

Caatinga foi responsável por quase 40% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, aponta pesquisa da UFCG Univasf/arquivo O bioma Caatinga foi responsável por 38% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, segundo levantamento realizado pelo Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O número foi baseado no inventário Clima TRACE, que acompanha os dados internacionais de emissão e remoção dos gases e outras variáveis ambientais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp De acordo com o inventário, em 2022 a Caatinga correspondeu à retirada de 410 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera. O bioma superou a Mata Atlântica e o Cerrado, responsáveis pela retirada de 320 e 240 milhões de toneladas do gás, respectivamente. Segundo os pesquisadores do OCA, os dados mostram o potencial da Caatinga para participar do mercado de carbono, que passou a ser regulamentado no Brasil a partir de 2024. LEIA TAMBÉM: Pesquisadores da UFCG apresentam trabalho em congresso da ONU: 'A Caatinga e o Semiárido têm experiência científica relevante' Agora no g1 Características da Caatinga As características da Caatinga contribuem para o processo de remoção do gás carbônico, segundo os pesquisadores. Naturalmente, durante o processo de fotossíntese, o bioma transforma cerca de 60% do gás absorvido em biomassa, reincorporando o resíduo em folhas, galhos, troncos e raízes. "Na Amazônia, esse percentual é de cerca de 30%, porque a respiração do ecossistema faz com que uma parcela maior do carbono absorvido retorne à atmosfera", explicaram os pesquisadores. Outro processo característico do bioma que aumenta a eficiência da absorção do gás ocorre durante os períodos de chuva. "Após meses de seca, poucos dias de chuva podem reativar a fotossíntese e fazer com que o bioma se torne um intenso sumidouro de CO₂, isto é, passe a retirar da atmosfera mais CO₂ do que libera. A ciência já reconhece que os ecossistemas semiáridos do mundo são responsáveis por boa parte da variação anual do ciclo global do carbono, ou seja, influenciam quanto carbono é absorvido e liberado pela vegetação terrestre de um ano para outro", disseram. Expansão do mercado na Caatinga Apesar do potencial para o mercado de carbono, a Caatinga ainda tem poucos projetos voltados à geração de créditos na região. Segundo os pesquisadores do OCA, isso ocorre porque a maioria das metodologias usadas para medir os créditos foi desenvolvida para ambientes úmidos e não se adapta às condições do bioma. Os pesquisadores do OCA esperam que novas tecnologias permitam medir melhor o potencial da Caatinga e ampliar a participação do bioma no mercado de carbono. “Para a Caatinga, o que falta não é uma regulamentação específica, e sim metodologias de medição reconhecidas que reflitam a dinâmica do bioma, e mecanismos para que comunidades e pequenos produtores consigam acessar a certificação. É nisso que o OCA tem trabalhado, inclusive com contribuições à consulta pública”, fexplicaram. Como funciona o mercado de carbono? O mercado de carbono é um sistema que regulamenta e incentiva a redução ou retirada do gás carbônico da atmosfera. O sistema funciona por meio da geração de “pontos”, chamados de créditos de carbono. Os créditos são gerados por projetos que reduzem ou retiram gases de efeito estufa da atmosfera. Segundo os pesquisadores do OCA, algumas dessas iniciativas são: proteção de florestas contra o desmatamento; recuperação de áreas degradadas; armazenamento de carbono no solo por meio de práticas agrícolas; geração de energia renovável; tratamento de resíduos; aumento da eficiência em processos industriais. Para que os créditos sejam considerados válidos, os projetos passam por análise e certificação. Depois de certificados, eles podem ser comercializados, movimentando o mercado. “Para que essas ações gerem créditos, é preciso medir e comprovar seus resultados, seguindo regras e critérios definidos. Uma vez comprovados e certificados esses resultados, os créditos podem ser gerados e comercializados. Os recursos obtidos com a venda podem financiar as ações do projeto e beneficiar os atores envolvidos em sua implementação, enquanto quem compra os créditos pode utilizá-los para compensar parte das suas próprias emissões”. Como o mercado pode impactar a população? Além de empresas privadas, o próprio Estado pode comprar e vender créditos de carbono. A receita obtida pode ser usada, por exemplo, em investimentos em serviços públicos. “A receita pode, sim, reforçar o orçamento (...) ela depende de preço, demanda e regras de certificação, que oscilam, e por isso não deve ser tratada como fonte estável para políticas continuadas. Serve como complemento", finalizaram. Sob supervisão de Bruna Couto* Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

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